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  Especialista em pequenas narrativas de que saltam mundos,
Título: Vidas de Gato
Autor: Rui Grácio
Ilustração: Marc
Preço: 12 euros
Ano de publicação: 2008
Formato: 21x21 cm
Acabamento: capa dura
Disponibilidade: Disponível
N.º de páginas: 24
ISBN: 978-989-614-083-0
Classificação: infanto-juvenil

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Este é um livro sobre a vida de um gato num apartamento. Sobre o ar livre que corre pelo telhado, os sons reveladores que por ele ecoam e a natureza deste animal felino. É também um livro sobre pessoas e sobre portas que se abrem e se fecham. E, como não podia deixar de ser, é uma história onde o miar comunica de muitas maneiras.


Póvoa de Varzim, 15/2/2008
Correntes d’Escritas, Sessão de lançamento «Vidas de Gato»

O livro intitulado «Vidas de gato» é uma narrativa baseada numa experiência pessoal e verídica. Tem a ver com o facto da minha família e eu, há cerca de dois anos, passarmos a conviver lá em casa com mais um mais um personagem: um gato.

Devo confessar que não fui, inicialmente, muito favorável à ideia. Mas, passados estes dois anos, acabei por ser conquistado pelo gato e seu laço de pertença à casa já foi por mim interiorizado. Se calhar sou hoje um dos seus melhores amigos.

Ora, para esta transformação concorreu um episódio que observei atentamente e que me despertou solidariedade pelo bichano.

Não bastava já eu achar que a vida de gato num apartamento era uma coisa que feria a natureza felina deste animal — ainda que o gato da nossa história pudesse desfrutar de um varandim e de um telhado para onde ia, onde era soberano e onde tratava da passarada — eis que, de repente, recebemos a queixa de um vizinho indignado por deixarmos andar o gato à solta pelo telhado e a exigir que não lhe déssemos acesso ao varandim.

A minha sensibilidade foi então tocada pelo comportamento depressivo do gato e pelo seu miar deprimido.

Foi impossível não decifrar as suas expressões de infelicidade e a sua incompreensão para com a portas fechadas que lhe barravam o caminho e para com a indiferença das pessoas que cumpriam as ordens da boa vizinhança.

Achei então que tinha matéria para escrever um conto em homenagem ao meu gato e pensei, simultaneamente, que talvez ele fosse uma boa maneira de pôr as pessoas a pensar quer nas questões que levantam quando se decide ter um gato num apartamento, quer como a vida se altera quando as portas em que nem reparávamos, de repente, e sem se saber porquê, se fecham, transformando-nos radicalmente a vida.

Espero que gostem destas pequenas criações e que elas se possam revelar como interessantes objectos de partilha.
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Pé de Página